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Açaí da Amazônia cria raízes em Alagoas e produz o ano inteiro

Com mais de 150 hectares, plantação em Boca da Mata produz cerca de 600 toneladas por ano e está entre as maiores do Nordeste

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Com mais de 150 hectares, plantação em Boca da Mata produz cerca de 600 toneladas por ano e está entre as maiores do Nordeste
Com mais de 150 hectares, plantação em Boca da Mata produz cerca de 600 toneladas por ano e está entre as maiores do Nordeste | Foto: — Divulgação

Uma paisagem amazônica no meio da Zona da Mata alagoana. Assim pode ser descrita a plantação de açaí da Fábrica Guardiã, localizada na Fazenda Águas de São Bento, no município de Boca da Mata. O fruto, típico da região Norte do Brasil, encontrou condições favoráveis em solo alagoano para produzir durante todo o ano.

Com uma área de mais de 150 hectares, o que começou como produção para consumo familiar se transformou em fonte de renda e negócio comercial. Atualmente, a propriedade produz cerca de 600 toneladas do fruto por ano e possui uma das maiores áreas de cultivo de açaí do Nordeste.

Em Alagoas, diferentemente do açaí nativo do Pará, as palmeiras cultivadas na propriedade contam com sistema próprio de irrigação. O modelo permite controlar a oferta de água e criar condições para manter a produção ao longo do ano.

Os açaizeiros são plantados em grupos de três, o que facilita o manejo do perfilhamento. Cada árvore é chamada de estipe e o espaçamento adotado na propriedade permite maior controle sobre o desenvolvimento das plantas.

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“Cada árvore dessa é uma estipe. A gente considera um espaçamento de aproximadamente 5x6 ou 6x6. Na área nativa não existe esse controle e, às vezes, isso dificulta até a locomoção local por ser uma planta nativa. Aqui, a gente precisa de irrigação. Mas, na Amazônia, ela não é necessária por conta da densidade pluviométrica”, explica o empresário Ricardo Jorge Tenório, responsável pela plantação.

Segundo o produtor, os investimentos em irrigação e manejo permitem alcançar produtividade de 20% a 25% superior à observada no cultivo nativo. Para sustentar esse desempenho, a propriedade também utiliza plantio conduzido e fertirrigação.

“Nós também temos o cuidado com a adubação, fazendo o manejo certo. Utilizamos a fertirrigação, porque colocamos o adubo de acordo com a necessidade da planta. Com isso, você consegue produzir muito mais e fazer uma colheita programada”, destaca Ricardo Jorge.

A fertirrigação consiste na aplicação de fertilizantes junto com a água utilizada na irrigação. A técnica permite fornecer nutrientes de acordo com as necessidades das plantas.

APROVEITAMENTO DO CAROÇO

Apenas cerca de 10% de cada fruto é aproveitado pela indústria para a produção da polpa, utilizando a parte que reveste a semente. O restante também pode ter outras destinações dentro da cadeia produtiva.

“O restante, o caroço, é usado para outros fins, como aquecer fornos e caldeiras, já que ele tem um poder calorífico muito bom. Também estamos fazendo uma experiência com ele sendo triturado e servido na ração animal para quem trabalha com confinamento”, afirma o empresário.

A plantação de Boca da Mata emprega cerca de 40 trabalhadores nas atividades de colheita, limpeza, manejo e demais etapas relacionadas ao cultivo.

Embora a produção ocorra durante todo o ano, a maior concentração da colheita acontece entre dezembro e março, período responsável por mais de 70% dos frutos retirados da propriedade.

“Aqui, o ciclo é diferente da Amazônia, que começa em agosto e termina em dezembro por conta do período de chuva, que é diferente do nosso. A nossa ocorre no período de dezembro a março, quando são colhidos mais de 70% dos frutos. Apesar de trabalharmos, hoje, com uma área de 150 hectares, ainda não estamos obtendo 100% da produção dela, já que a planta demora, em média, cinco anos para começar a dar frutos. Atualmente, colhemos cerca de 70% da área plantada”, explica.

Segundo Ricardo Jorge, a propriedade também mantém uma política de busca e testes de variedades que apresentem boa adaptação às condições de Alagoas e maior produtividade. “Hoje, por hectare, a gente consegue seis toneladas do produto pronto”, ressalta.

DA LAVOURA PARA A FÁBRICA

Outro diferencial da produção é a proximidade entre a plantação e a unidade de beneficiamento. O açaizal fica ao lado da fábrica de polpa, permitindo que os frutos sejam processados no mesmo dia da colheita.

“Aqui nós fazemos a colheita de manhã e conseguimos processar à tarde. O açaí não perde sabor, cor ou qualidade. Diferentemente do Pará, onde, como é nativo, às vezes demora entre um dia e um dia e meio para chegar à indústria”, afirma Ricardo Jorge.

Na unidade são produzidos polpa e sorvete de açaí. A fábrica emprega mais de 14 trabalhadores e realiza o processamento e o controle de qualidade antes da comercialização.

Depois de beneficiados, os produtos são destinados a indústrias e estabelecimentos do setor de alimentos, supermercados, lanchonetes e consumidores familiares.

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