Sabores
COZINHA ITALIANA COM SOTAQUE BOLIVIANO
Um chef boliviano fazendo comida italiana. O que a princípio pode causar estranhamento se torna uma experiência gastronômica para lá de gratificante. É assim na cozinha do Najuany Bistrô, comandada pelo proprietário Boris Guimbard. O novo restaurante maceioense inaugurado recentemente na Jatiúca ? coladinho ao de comida peruana Wanchako ? não é sofisticado, mas, aconchegante, oferece a leveza do tradicional sabor italiano. O segredo: todas as massas são caseiras e a grande maioria dos ingredientes não é industrializada, o que torna o alimento mais leve. Além disso, o ponto da massa é mesmo al dente, como manda a mama. Cria de chefs de peso como Salvatore Loi, Giancarlo Bolla e Rosario Tessier, Boris Guimbard deu início à sua formação em restaurantes dos Estados Unidos, onde teve a oportunidade de ser apresentado ao maravilhoso mundo da gastronomia italiana trabalhando como sous chef após experiência como ajudante de cozinha. Quis o destino que viesse ao Brasil e vivesse em Brasília durante seis anos. Lá, além de trabalhar em famosas casas italianas, também conheceu a culinária francesa. ?Mas a área que mais me sinto confortável é mesmo a italiana, porque comida italiana me lembra coisas de casa. Quando comemos a comida italiana, parece que a mãe ou a avó que fizeram. É uma comida simples, mas ao mesmo tempo um pouco mais temperada, bem diferente da culinária francesa?. Aliás a gastronomia francesa tem um capítulo à parte na vida de Boris e a diferença entre as duas, ele aprendeu guiado pelo chef Lionel Ortega, do L?Atelier du Chef. ?São diferentes no sentido de técnica, porque a culinária francesa trabalha muito com tempo de cocção, método de cocção, ervas finas. Acho muito legal, muito interessante, a ciência, tudo tem um porquê na cozinha francesa. Porque tem um tempo certo de cozimento, a temperatura exata, tem que selar, deglaçar. Acho muito impressionante, mas, para mim, a comida é uma coisa que tem que vir mais dos sentidos.