Sabores
De caneco na m�o
Fazer um tour pela Alemanha (com uma escapada até St. Gallen, ali pertinho, na Suíça) para visitar as mais importantes cervejarias daquela região nunca tinha passado pela minha cabeça. Devia. Confesso que se não tivesse sido escalada para embarcar na Rota do Mestre Cervejeiro por lá, dez dias de caneca em punho e muito colarinho branco (ou não) pela frente, provavelmente jamais teria colocado o meu all star azul (mesmo) em paragens como Kelheim, Freising ou Füssen,berços das melhores pils, weizenbier ou ales do planeta e sede de marcas como Weltenburger, Weihenstephan, Paulaner, Erdinger... Bayreuth, o começo da trip, a menos de duas horas de autobahn (existem autoestradas mais espetaculares?) de Frankfurt, talvez fosse a única cidade, entre as oito do roteiro, onde eu voluntariamente aportasse. É a terra onde Richard Wagner morou por cerca de dez anos e foi sepultado (ele morreu em Veneza, em 1873) e deixou marcas por lá, incluindo uma Ópera, o Festspielhaus, que é palco de um dos mais animados e con- corridos festivais da Alemanha. E como tudo no país acaba em cerveja, Bayreuth é também CEP de uma das mais antigas cervejarias do país, a Meisel?s Weisse, de 1872, que promove tours em catacumbas centenárias, a 12 metros de profundidade (Bayreuth tem 32 km de túneis subterrâneos, que serviram de abrigo na Segunda Guerra Mundial). Mestre Wagner, por lá, é figurinha fácil: pode ser ?visto? na porta de restaurantes anunciando a chegada dos aspargos frescos; no hall do hotel dando boas-vindas aos visitantes, ou no papel de garoto-propaganda da própria Meisel?s,empunhando (em gestual de maestro) duas tulipas cheias.