Sabores
T� QUENTE, T� FRIO
Debaixo de uma chuva que aperta a cada passo, a designer Martha Pedalino, de 26 anos, caminha entre canteiros de alfavaca, boldo, maracujá, hortelã (?Pega uma folhinha e morde, tem gosto de chiclete?, ela diz para a repórter), alfazema (?Passa a mão e cheira?), capim-limão, arruda (?É para espantar o mau-olhado?), melissa, citronela, cavalinha (?Dizem que ajuda a emagrecer?), babosa e alecrim. Tudo plantado na Chácara Macambira, em Vargem Pequena. ?Não para de chover, né? Todo produtor gosta de chuvinha. Nada melhor que água da chuva, porque tem todos os nutrientes?, diz Martha. Com uma tesoura de ponta laranja, corta algumas mudas e leva para uma desidratadora manual. Vai esperar uma semana até que as folhas sequem, de preferência, sob o sol da manhã. Feito isto, tritura e distribui as ervas em potes de vidro e saquinhos de papel pardo. Inventa misturas. Cola os rótulos com as receitas à mostra. E bota água para ferver. Há um ano, Martha criou a Chá Dao, marca de chás artesanais produzidos no sítio da família. ?Tenho uma linha de unitários: só de hibisco, só de camomila. E os blends. O sonífero, de camomila, erva-doce, passiflora e melissa, é o que mais sai. É um chazinho que tomou, dormiu. Outro que as pessoas gostam muito é o para ressaca, com carqueja, boldo e casca de abacaxi. Eu sempre falo para os clientes evitarem o refrigerante nesses casos?, brinca ela, que também faz chás gelados.