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VOZES ANCESTRAIS

Cantar para não desaparecer: espetáculo indígena leva cantos ancestrais ao Theatro Homerinho

Apresentação gratuita no Theatro Homerinho integra o projeto Giro das Tradições e valoriza culturas dos povos Kariri-Xocó, Karapoto Plakió e Fulkaxó

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Imagem ilustrativa da imagem Cantar para não desaparecer: espetáculo indígena leva cantos ancestrais ao Theatro Homerinho
| Foto: (Foto: Divulgação)

Lugar de diferentes povos, Alagoas guarda cerca de 86 etnias indígenas desde o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022. Entre elas estão os povos Kariri-Xocó, Karapoto Plakió e Fulkaxó, que sobem ao palco do Theatro Homerinho nesta terça-feira (28), com o “Vozes Ancestrais – O Musical”, em mais uma edição do Giro das Tradições.

Por meio da música, um grupo formado por quatro mulheres dessas etnias pretende contar aspectos da história, do cotidiano, das vivências, dos desafios e das alegrias de seus povos, a partir de cantos originários transmitidos de geração em geração. O espetáculo é inspirado nas manifestações culturais desses povos e deve levar ao palco elementos como os rojões e torés, tradicionalmente entoados em atividades coletivas das aldeias, como plantios, colheitas, mutirões comunitários e produção de artesanato.

Segundo elas, a proposta do grupo é reinterpretar a tradição de modo musical e dançante para aproximar o público de uma experiência sensível e acessível a diferentes faixas etárias. Integrante do grupo, Islaynne Pires explica que levar tradições de um povo para um palco de teatro requer cuidado e responsabilidade com a história.

“Quando a gente vai apresentar, levar a nossa cultura, tradições, a gente tem nossos limites. O que eu vou fazer é cantar o rojão, falar como foi criado, que foi através das proibições de jesuítas de não falar na sua língua materna. Os cantos são a identidade do meu povo”, diz.

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Os rojões, segundo Islaynne, são cantos em português criados pelos povos originários para evitar que a cultura desaparecesse com a proibição da língua nativa. “São cantos em português para eles [os portugueses] acharem que a gente não estava cantando e estava deixando morrer as nossas tradições. Mas, pelo contrário, a gente estava forte. Fortalecendo a nossa cultura. Onde eu chegar e cantar um canto da minha cultura, o povo já vai saber: ‘Essa é indígena Kariri-Xocó’”, afirma.

Esses elementos são guardados com orgulho, o que poderá ser percebido por quem for prestigiar o Giro das Tradições nesta noite. “É tanto que muitos que escutam sentem a emoção e a força dos nossos cantos, que nossos ancestrais deixaram para a gente. Então, é uma coisa que a gente preserva com muito amor, com muita dedicação, com muita força”, compartilha.

Além de explicar a origem das manifestações culturais, ela conta que as etnias reunidas hoje têm origem em travessias forçadas e acolhimentos entre povos, como o encontro entre os Xocó e os Kariri às margens do Rio São Francisco após invasões de seus territórios. “Foi um fortalecimento maior. Hoje, somos povo”, afirma. Ao transformar esses elementos em uma experiência musical e cênica, o grupo busca aproximar o público de uma dimensão que não é apenas artística, mas também espiritual. Para Islaynne, os cantos carregam uma força que ultrapassa o palco: “é algo que nossos ancestrais deixaram para a gente, e que a gente preserva com amor, fé e dedicação”.

O musical não é por acaso — vem da ancestralidade e da espiritualidade dos povos. “É algo que já é da nossa cultura, do nosso povo Kariri-Xocó, ter esse dom de criar cantos e melodias ao mesmo tempo. Nós temos esse dom, dado pelo Deus Tupã, o Ara Kedzan, de nos dar essa inteligência, sabedoria”, diz.

O Giro das Tradições é um projeto realizado pelo Instituto de Vivências Artísticas (IVA) em parceria com a Secretaria de Estado do Turismo de Alagoas (Setur/AL). Suas edições ocorrem sempre às terças-feiras. O “Vozes Ancestrais – O Musical” integra a programação do Abril Indígena e propõe um encontro direto com expressões culturais que seguem vivas, em movimento e em continuidade.

O projeto também se consolida como uma iniciativa voltada à valorização e à difusão de manifestações culturais populares e tradicionais, propondo um espaço contínuo de encontro entre artistas, mestres da cultura e o público, promovendo o acesso a expressões que, muitas vezes, permanecem fora dos circuitos mais comerciais.

Serviço

  • O quê: Espetáculo Vozes Ancestrais – O Musical (Giro das Tradições)
  • Quando: Terça-feira, 28 de abril, às 19h
  • Onde: Theatro Homerinho (Jaraguá)
  • Quanto: Gratuito
  • Classificação: Livre

*Sob supervisão da editoria de Cultura

Tags:

abril indígena Alagoas Cultura Cultura Popular espetáculo gratuito fulkaxó Giro das Tradições karapoto plakió kariri-xocó maceió música povos indígenas Teatro

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